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7 de abril de 2021 Indonésia e Timor-Leste sofrem com deslocamentos após ciclone
As enchentes e deslizamentos causados pelo ciclone Seroja causaram mortes e destruição. Muitas pessoas que perderam suas casas se deslocaram para abrigos nas regiões de Lembata e Díli.

Deslocados são atendidos após enchentes no Timor Leste

 

POR AMANDA ALMEIDA

IMPRENSA SCALABRINIANA

DA REDAÇÃO - SÃO PAULO

 

Cerca de 10 mil pessoas estão deslocadas de suas casas após as chuvas causadas pelo ciclone tropical Seroja, que atingiu o Timor-Leste e a Indonésia, no sudeste da Ásia, no último final de semana. Estima-se que 30 mil pessoas foram afetadas de alguma forma pelas inundações. Ao menos 70 mortes foram confirmadas na Indonésia, e cerca de 30 em Timor-Leste.

 

Por causa dos desastres, milhares de pessoas se viram obrigadas a fugir de suas casas e se deslocarem para abrigos, muitos na região de Lembata, Indonésia. “Os desabrigados vieram para cá apenas com a roupa molhada nas costas, nada mais. Precisam de cobertores, travesseiros, colchões e barracas”, disse Thomas Ola Longaday, vice-prefeito da região.

 

No Timor Leste, muitas pessoas perderam suas casas, entre elas Epifania Gomes, mãe de quatro filhos, que se refugiou com a família em uma igreja na região de Díli, capital do país. “É difícil encontrar água limpa. Não nos lavamos, porque não tem chuveiro, nem banheiro, temos que fazer as necessidades no mato”, disse.

 

Casa é arrastada pela correnteza na região de Díli, Timor Leste.

 

“Os desabrigados estão espalhados por todos os lugares, há centenas deles em todos os distritos, mas muitas pessoas também ficaram em casa e precisam de comida, remédios e cobertores”, contou Alfons Hada Bethan, chefe da agência de gestão de catástrofes de Flores Oriental.

 

As chuvas torrenciais provocaram enchentes súbitas e deslizamentos de terra e de lava solidificada, resultado da erupção do vulcão Lewotolok em novembro passado, que atingiram vários vilarejos, causando mortes e a destruição de casas, estradas, pontes e hospitais.

 

Longaday explica que muitas pessoas sofreram fraturas ao serem atingidas por pedras, pedaços de madeira ou escombros e teme que as unidades de saúde básicas entrem em colapso. “Não temos anestesistas e cirurgiões em número suficiente, mas nos prometeram que reforços serão enviados”, afirmou.

 

Na ilha indonésia de Flores, casas, estradas e pontes ficaram cobertas pela lama, tornando o acesso das equipes de socorro ainda mais difícil. "A lama e o clima são um grande desafio, assim como os destroços que estão se acumulando e dificultando a busca", disse Raditya Djati, porta-voz da agência indonésia de gestão de catástrofes.

 

Atualmente, estima-se que pelo menos 22 milhões de pessoas estejam deslocadas por motivos climáticos no mundo todo. Até 2050, segundo estimativas da ONU, esse número deve subir para cerca de 200 milhões.

 

Apelo do Papa

 

Recentemente, a Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral lançou o livro “Orientações Pastorais sobre as Pessoas Deslocadas pela Crise Climática”, que conta com o Prefácio escrito pelo Papa Francisco. A obra é apresentada por ele como “um guia repleto de fatos, interpretações políticas e propostas relevantes.”

 

“O fato de as pessoas se deslocarem porque o seu habitat local se tornou inabitável, pode parecer um processo natural, algo inevitável. No entanto, a deterioração climática resulta muito frequentemente de escolhas erradas e atividade destrutiva, egoísmo e negligência que colocam a humanidade em conflito com a criação, a nossa casa comum”, ressalta o Papa.

 

No decorrer do texto, Francisco recorda sobre a deterioração do meio ambiente, que acontece desde a Revolução Industrial, enfatizando que, por muito tempo, sua evolução foi quase imperceptível. “Mesmo agora o seu impacto não é uniforme: as alterações climáticas ocorrem em toda a parte, mas o maior efeito é sentido pelos que menos contribuíram para elas.”

 

Francisco relembra, ainda, a necessidade de acolher os deslocados da crise climática, ouvindo-os e olhando ao redor, para enxergar os problemas que vivem. “As pessoas expulsas dos seus lares pela crise climática necessitam de ser acolhidas, protegidas, promovidas e integradas. Elas querem recomeçar. Para criar um novo futuro para os seus filhos, precisam de ter condições e ser ajudadas.”

 

 



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