Igreja
1 de abril de 2021 Roma: Via Sacra 2021 tem participação da juventude
Na segunda vez celebrando a Via Sacra na Praça São Pedro, o Papa Francisco ouvirá as reflexões de jovens da paróquia dos Santos Mártires de Uganda; 15 jovens acompanharão o rito presencialmente.

 

POR AMANDA ALMEIDA

IMPRENSA SCALABRINIANA

DA REDAÇÃO-SÃO PAULO

 

Na próxima sexta, 2 de abril, o Papa Francisco realizará a segunda Via Sacra em tempo de pandemia. A primeira, realizada em 2020, foi acompanhada por profissionais de saúde, que atuam na linha de frente contra a Covid-19. Em 2021, as meditações serão acompanhadas por jovens da paróquia romana dos Santos Mártires de Uganda.

 

Os textos para a Sexta Feira Santa foram escritos e ilustrados pelas crianças da paróquia, que estão em preparação para a Primeira Eucaristia ou para a Confirmação. Das reuniões on-line durante a pandemia, nasceram meditações e orações, que foram publicadas em um livreto e serão ouvidas pelo Papa durante a Via Sacra na Praça São Pedro.

 

O pároco, padre Luigi D’Errico, conta que a ideia surgiu antes mesmo do chamado do Vaticano para ajudar o Papa a comentar as estações da Via Sacra. “No início pensamos em fazer uma atividade que envolvesse também os que estão em casa, porque prevíamos que teria lockdown, e não poderíamos sair de casa. Assim, a fim de ajudá-los, como fizemos no ano passado desenhando Palmeiras, este ano dissemos aos catequistas: vamos desenhar ou comentar uma das estações da Via-Sacra à escolha.”

 

A ideia contou com a participação de cerca de 500 crianças e adolescentes, que participam das atividades paroquianas no cotidiano. Padre Luigi conta que a Estação mais retratada foi a crucificação pois, segundo ele, é o momento que mais chama a atenção, “a crucificação é o momento trágico, é o que nos faz pensar no abandono de Jesus, no seu sofrimento, que ele certamente não merecia sofrer.”

 

Durante a Via Sacra, 15 dos jovens mais velhos acompanharão o Papa, estes, por sua vez, são catequistas ou catequistas auxiliares. “Os que irão representar os outros, como quando fazemos viagens a Uganda irão se tornar os corações, os olhos e as mentes dos que não podem ir”, afirma D’Errico.

 

Na opinião do padre, o Papa Francisco tem a intenção de se mostrar próximo aos jovens nesse momento, pois tem uma capacidade especial de estar ligado às pessoas. “Penso que o Papa quis chamar a atenção sobre os mais jovens, os que no início se dizia estarem ‘longe da possibilidade de serem infectados e, portanto, de morrerem, então devemos nos preocupar menos’. Em vez disso, com o tempo, estamos vendo que esta distância é, felizmente, parcialmente verdadeira, mas também há consequências da solidão, de não estar com outros, da tendência natural dos jovens de estar com outros jovens e, portanto, de passar seu tempo e crescer”, disse.

 

As reflexões

 

Na introdução do livreto, as crianças se dirigem a Jesus, ao enfatizar sobre suas angústias. “Querido Jesus! Sabeis que nós, crianças, também temos cruzes, que não são mais leves nem mais pesadas do que as dos grandes, mas são verdadeiras cruzes, que sentimos pesadas mesmo de noite. E só Vós o sabeis, tomando-as a sério. Só Vós”. As crianças relembram as diversas situações que as fazem sofrer, além das situações em que outras crianças no mundo passam, como a fome e a violência.

 

As Estações, comentadas pelas crianças, trazem também um pouco da história de cada um, com reflexões sobre momentos em que passaram por dificuldades e sofrimentos. “Eles sentem, por exemplo, a distância dos avós. Em muitos casos, não encontram mais seus idosos há muito tempo. Eles sentem falta de tudo isso, sentem falta de fazer festas de aniversário junto com as outras crianças, sentem falta de ir à escola às vezes com tranquilidade, brincar nos parques. Tudo isso tem sido limitado no momento e, por isso, emerge também em seus comentários”, comenta padre Luigi.

 

Na 13º Estação, quando Jesus é retirado da cruz, por exemplo, o narrador conta: “Da ambulância desceram homens, que pareciam astronautas munidos de toucas, luvas, máscaras e viseiras, e levaram o avô que, já há alguns dias, sentia dificuldade em respirar. Foi a última vez que vi o avô”. O sofrimento narrado pela criança vem também da impossibilidade de estar próximo e de confortar quem ama. Apesar disso, a criança escreve que rezou pelo avô todos os dias “pude assim acompanhá-lo nesta sua última viagem terrena”.

 

Além dessa, outras reflexões narram momentos do cotidiano das crianças, como na 6º Estação, na qual uma mulher limpa o rosto de Jesus. Nesse texto, o narrador conta sobre a derrota em uma partida importante de futebol. “Enquanto tomava banho, estava triste e desanimado, mas, ao sair do vestiário, encontrei o meu amigo: esperava-me com uma laranjada na mão” e relata que, na companhia do amigo, a derrota “tornou-se uma recordação menos amarga”. Ali, a necessidade das crianças de conforto em um momento de tristeza se mostra presente e clara.

 

A Via Sacra em 2020

 

Com a Praça São Pedro vazia, assim como acontecerá nesse ano, o Papa Francisco recebeu em 2020 um grupo de médicos e enfermeiros do Vaticano, que se revezaram no momento de carregar a cruz, além de Michele, um ex-detento do centro de reclusão Due Palazzi, o diretor da cadeia, Claudio Mazzeo, a vice-delegada da Polícia Penitenciária, Maria Grazia Grassi, um agente da corporação, a voluntária Tatiana Mario e o capelão Marco Pozza.

 

Os textos das meditações da Via Sacra foram confiados à Capelania da Casa de Reclusão Due Palazzi, em Pádua, norte da Itália. Entre os autores estão cinco detentos, uma família que perdeu uma filha por homicídio, a filha de um condenado à prisão perpétua, a educadora de uma cadeia, um juiz, a mãe de um presidiário, um catequista, um voluntário, um agente da Polícia Penitenciária e um sacerdote absolvido pela Justiça.

 

Cada meditação trouxe a reflexão das dores que o cárcere produz: nos detentos, nas vítimas de seus crimes, em seus familiares, nos policiais, juízes e sacerdotes.

 

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