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31 de março de 2021 Refugiados birmaneses na Tailândia descrevem o horror dos ataques aéreos
Grupos de civis feridos em ataques contra rebeldes em Mianmar fugiram pela selva até a Tailândia. Muitos não conseguiram atravessar por causa dos ferimentos.

 

Civis feridos em ataques aéreos contra posições rebeldes em Mianmar tiveram que fugir por um ou dois dias a pé pela selva para a Tailândia em busca de ajuda médica, contaram alguns deles nesta terça-feira (30).

 

"Não ouvimos o avião. Se tivéssemos ouvido, teríamos fugido", disse à AFP Naw Eh Tah, de 18 anos, uma das poucas refugiadas que conseguiram cruzar nesta terça o rio Salween, na fronteira com a Tailândia.

 

"Quando percebi o que estava acontecendo, houve uma explosão no telhado da minha casa", relatou ela no pequeno hospital no distrito de Sop Moei, na província tailandesa de Mae Hong Son, no norte do país.

 

Com as pernas feridas por estilhaços, Naw Eh Tah teve que caminhar um dia inteiro pela densa floresta até o rio na fronteira. "Passamos por isso porque não podíamos ficar, todo o exército birmanês está tentando nos pegar", continuou.

 

Os aviões bombardearam alvos no estado de Karen, no leste, no sábado e no domingo, enquanto Mianmar vivia o dia mais mortal da repressão da junta militar aos protestos contra o golpe, com 107 manifestantes mortos no sábado.

 

Os ataques tiveram como alvo parte do território mantido pela União Nacional de Karen (KNU), um grupo étnico armado que havia tomado anteriormente uma base militar.

 

Foi o primeiro ataque aéreo da força aérea birmanesa contra a KNU nos últimos 20 anos, o que levou cerca de 7 mil moradores a fugirem em busca de segurança, de acordo com o grupo armado.

 

"As bombas caíam muito rápido"

 

O mais jovem de todos a atravessar o rio nesta terça, um menino de 15 anos, também foi o mais gravemente ferido, com uma costela quebrada e um pulmão afetado.

Saw Lab Bray, de 48 anos, sofreu ferimentos por estilhaços em todo o corpo quando foi atingido pelo ataque à base da KNU, Day Puh Noh.

 

"Tentei fugir, mas as bombas caíam muito rápido", afirmou ele à AFP, em uma cadeira de rodas no hospital, e acrescentou que viu um homem morrer e seis pessoas feridas. "Caí de lado e tossia sangue. Estou com medo porque não consigo correr nem me mover", completou.

 

O médico Chakri Komsakorm comentou que os refugiados pareciam "ter vindo de uma guerra", com muitos ferimentos de estilhaços infeccionados por falta de medicamentos. Komsakorm também disse que ouviu que pessoas gravemente feridas ficaram presas na margem birmanesa do rio, impossibilitadas de cruzá-lo por causa de suas condições físicas.

 

Segundo grupos de Karen, até 3 mil refugiados atravessaram o rio até a Tailândia após os ataques aéreos, antes de serem devolvidos a Mianmar, embora as autoridades tailandesas tenham dito que eles não foram obrigados a retornar.

 

O governador de Mae Hong Son, Sithichai Jindaluang, garantiu em coletiva de imprensa que os refugiados que não foram afetados de forma muito grave pelos bombardeios concordaram em retornar. O primeiro-ministro tailandês, Prayut Chan-O-Cha, insistiu que o reino não recusaria ninguém se a situação piorasse.

 

 

Imprensa Scalabriniana com Estado de Minas



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