Brasil
17 de março de 2021 Linguista angolano ministra curso de kimbundu no Brasil
Um curso sobre língua e cultura kimbundu, a ser ministrado pelo linguista angolano Ezequiel Bernardo, começa na sexta-feira e prolonga-se até ao dia 21 de Maio, na Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil.

 

POR MATADI MAKOLA

 

Esta é a terceira edição do curso de língua e cultura kimbundu na Universidade Federal de Santa Catarina, iniciado em 2016 através do programa PT Letras - UFSC. Segundo o linguista Ezequiel Bernardo, o curso contará com dez encontros, que totalizarão 15 horas de aulas teóricas e práticas.

"O convite ao fortalecimento das relações culturais e linguísticas entre Angola e o Brasil vem desde 2016, aquando da minha deslocação ao Brasil para formação. Tive a primeira experiência em 2016, tendo aderido ao curso um número de participantes assustador, pelo interesse que estes demonstraram com a língua kimbundu”, frisou.

Em 2017 tiveram a segunda turma. Porém o novo normal, em consequência do surgimento da pandemia da Covid-19, atrapalhou a agenda, mas não anulou a política de internacionalização da língua kimbundu levada a cabo pelo linguista, tendo aceite novamente a realização da terceira edição do curso de língua e cultura kimbundu, desta feita via online.

"É um ganho para o Brasil. Estamos perante uma forma sólida de fazer políticas linguísticas internacionais, uma vez que Angola ainda olha de forma marginal para a implementação das línguas nacionais no ensino. O Brasil acolhe de mãos abertas este projecto por se sentirem parte da cultura angolana, devido aos traços linguístico-culturais que nos unem”, justifica.

 

Turma de edição anterior


A seu ver, essa iniciativa é, em parte, uma forma de levantar reflexões em torno do estatuto das línguas nacionais e o seu lugar na sociedade angolana, o que leva a acentuar que o projecto da internacionalização do kimbundu é um ganho que deve ser abraçado pelos académicos interessados nesta temática e por organismos que sustentam a política cultural em Angola.

No geral, os alunos brasileiros aprendem as bases da língua kimbundu, tanto que as aulas são administradas inicialmente com questões principiantes, como um breve panorama da língua na geografia do seu país de origem, saudações, numerações, questões sobre classes de palavras e alguns exercícios através de músicas em kimbundu.

"Precisamos de olhar a política de internacionalização da língua kimbundu como um acto que coloca em circulação não apenas a língua, mas a cultura e pensamento de um povo que por sinal tem laços fortes com Angola, quer linguísticos quer culturais”, sustenta.

Relativamente aos ganhos da expansão do kimbundu, o linguista observa que essa possibilidade coloca Angola num lugar privilegiado para exportar e promover o desenvolvimento da língua, dado que o conhecimento da língua abarca a economia e a sua cultura. "Essa acção ocupa um lugar privilegiado no estabelecimento de relações políticas, sociais e culturais entre os dois países. Pode-se pensar mesmo na existência de uma disciplina sobre kimbundu nos cursos de letras e linguística de algumas universidades brasileiras”, explica.

Ezequiel Pedro José Bernardo possui graduação em Língua e Literatura em Língua Portuguesa pela então Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (2013). É mestre em Sociolinguística e Dialectologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2018).



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