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8 de março de 2021 Dia da mulher na luta contra a Covid
No mundo inteiro, as mulheres têm assumido a linha de frente no combate à pandemia e na proteção da vida das populações

 


 Mulheres integrantes da Associação Indígena Sateré Mawé. 

 

POR MARCELO BARROS *

Nesta segunda-feira, 08 de março, e durante toda esta semana, o mundo celebra o dia internacional da mulher.  Esta data, promovida pela ONU (Organização das Nações Unidas), celebra as conquistas sociais, econômicas, culturais e políticas que as mulheres realizam no mundo e reforça a luta das mulheres pelo reconhecimento de sua dignidade, igualdade de direitos e protagonismo na construção de um mundo de iguais.

Infelizmente, no Brasil, na comemoração do 08 de março, precisamos nos dar conta de que, durante este tempo de pandemia, têm crescido várias formas de violência contra a mulher. Muitas mulheres têm sofrido agressões dentro da própria casa, muitas vezes por parte dos companheiros. Ainda é comum o estupro e pior ainda o feminicídio, assassinato de mulheres, pelo fato de serem mulheres. Além disso, a violência contra a mulher também toma caráter coletivo no tráfico de mulheres para a prostituição forçada que existe em todos os continentes e em certas políticas que insistem na discriminação da mulher. 

Neste ano, a ONU escolheu como tema para o 08 de março:  "Mulheres na liderança: Alcançando um futuro igual em um mundo de Covid-19 ". A razão deste tema é o fato de que, no mundo inteiro, as mulheres têm assumido a linha de frente no combate à pandemia e na proteção da vida das populações. Elas têm atuado como profissionais de saúde, cuidadoras e organizadoras comunitárias. Em todos os continentes, muitas das lideranças mais exemplares e eficazes na luta contra a Covid são mulheres. Ao mesmo tempo, continuam cuidando da maioria das tarefas de casa e suportam um fardo enorme de exigências. Em todo o mundo os índices maiores de desemprego e de pobreza recaem sobre as mulheres.

A ONU tem destacado que a maioria dos países nos quais o combate à onda da pandemia da Covid-19 tem tido mais sucesso têm sido países governados por mulheres. Estamos nos referindo à Dinamarca, Etiópia, Finlândia, Alemanha, Islândia, Nova Zelândia e Eslováquia. Esses países foram reconhecidos pela rapidez dos cuidados e pela determinação com a qual os seus governos protegeram a população. No entanto, dos 193 países-membros da ONU somente 20 são governados por mulheres.

Apesar das mulheres constituírem a maioria dos trabalhadores da linha de frente, ainda continua sendo desproporcional e inadequada a representação de mulheres nos espaços nacionais e globais de políticas para a Covid-19.

Devemos todos, homens e mulheres, valorizar e celebrar de todas as formas que pudermos o dia internacional da mulher, para que este possa se estender por todos os dias do ano como tempo de integração de gêneros e o mundo se torne espaço de comunhão no qual mulheres e homens possam viver a complementação de iguais.

Para quem cultiva a espiritualidade, seja em qual for a tradição religiosa ou fora das religiões, o Amor se manifesta como energia fecunda de vida. Os povos indígenas a veneram como Pachamama, mãe Terra. As tradições afrodescendentes a honram nas grandes Mães da vida,  como Iemanjá, Nanã, Obá, Euá, Oxum e Iansã.  A tradição bíblica revela que a divina Ruah, ventania, que os textos traduzem como Espírito Santo, se revela na força própria da mulher e no encanto do feminino em nossas vidas. Na carta aos gálatas, Paulo afirma: "Homens ou mulheres, somos todos um só no Cristo, Jesus nosso Senhor" (Cf. Gl 3, 28).


* Marcelo Barros
Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo especializado em Bíblia. Atualmente, é coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). Assessora as comunidades eclesiais de base e movimentos sociais como o Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST). Tem 45 livros publicados dos quais está no prelo: "O Evangelho e a Instituição", Ed. Paulus, 2014. Colabora com várias revistas teológicas do Brasil, como REB, Diálogo, Convergência e outras. Colabora com revistas internacionais de teologia, como Concilium e Voices e com revistas italianas como En diálogo e Missione Oggi. Escreve mensalmente para um jornal de Madrid (Alandar) e semanalmente para jornais brasileiros (O Popular de Goiânia e Jornal do Commercio de Recife, além de um jornal de Caracas (Correo del Orinoco) e de San Juan de Puerto Rico (Claridad).



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