Região Hispânica
2 de março de 2021 “Encuentro por la verdad” dá voz a vítimas no Equador
O “Encuentro por la verdad: reconocimiento del exilio en las fronteras con Colombia” é uma iniciativa da entidade Comisión de la Verdad e está em sua 10º edição.

 

 

POR AMANDA ALMEIDA

IMPRENSA SCALABRINIANA

DA REDAÇÃO - SÃO PAULO

 

Aconteceu no sábado, 27 de fevereiro, a 10º edição do “Encuentro por la verdad”, que reconheceu o deslocamento forçado de milhares de colombianos para países que fazem fronteira com a Colômbia. O evento aconteceu em Ibarra, capital da província de Imbabura, no norte do Equador.

 

A Colômbia vive há anos um conflito armado que, segundo dados do ACNUR, já obrigou mais de 520 mil pessoas a solicitar refúgio nos 5 países que fazem fronteira com o país. O Equador lidera a lista, com 240.901 pedidos, seguido pela Venezuela, com 200 mil, e pelo Panamá, com 68 mil pedidos. Em menor escala vem o Brasil, com 8.242, e o Peru, com 7.353.

 

“Queremos resaltar que la magnitud de la situación vivida por los colombianos y colombianas que han transitado por esta frontera ha hecho que se desplacen de manera forzada a lugares más allá de nuestro territorio, como Costa Rica, México, Chile, Argentina, Uruguay, entre otros países de nuestra América Latina” disse Leyner Palacios, membro da Comisión de la Verdad, entidade organizadora do evento. Há, ainda, migrantes colombianos que se fixaram no Canadá ou em países da Europa.

 

Durante o evento, o presidente da entidade, Francisco de Roux, demonstrou o apoio à comunidade migrante e refugiada colombiana dizendo “Ustedes se sintieron amenazados por vivir aquí (na Colômbia). Sientan un abrazo muy profundo. Ustedes son sangre nuestra, carne nuestra y corazón nuestro. Ustedes son Colombia en el exilio”. Francisco ainda agradeceu o apoio do Serviço Jesuíta e das Scalabrinianas pelo apoio e acolhida no trabalho com os migrantes. “Es importante reconocer que las víctimas del conflicto armado tienen rostros. También es importante reconocer los daños causados por el conflicto armado” disse a Irmã Leda Aparecida dos Reis, Diretora Nacional da Missão Scalabriniana no Equador.

 

 

No dia 21 de fevereiro, o “Nodo de Apoyo en Ecuador”, que põe em prática os objetivos e missão da entidade, realizou uma série de encontros com vítimas do conflito armado. Esses encontros aconteceram nas cidades de San Lorenzo, Lago Agrio, Quito, Guayaquil y Zamora e, durante as atividades, os participantes se expressaram desenhando e escrevendo em murais e telas, que foram entregues aos comissionados Carlos Beristain y Leyner Palacios durante o evento por Diana Mesa, que integra o Coletivo de Exilados e Refugiados da Colômbia no Equador (CERCE).

 

Diana iniciou sua fala dizendo “No más violencia, eso es lo que pedimos los colombianos en el exilio”. Ainda, segundo Mesa, vítimas ainda têm que carregar a dor de deixar seu país. “Hoy comparto mi voz por quienes no pueden expresar sus luchas, quienes buscan llevar honradamente un pan a sus mesas. Todo eso está que está plasmado en lienzos blancos, con lo nos identificamos y queremos concebir como la paz”, disse. Após a fala de Diana, o grupo Siona Espiritú, composto por indígenas do povo Siona, realizou uma apresentação musical, que precedeu os relatos das vítimas da violência armada.

 

“Con la presencia de todas las personas que nos encontramos aquí, estamos reconociendo las migraciones forzadas de Colombia. Recuperamos las historias de vida de personas que son protagonistas de historias vividas, que son fuente de verdad para comprender muchas de las razones del conflicto armado colombiano”, afirmou a missionária scalabriniana, Irmã Leda Aparecida dos Reis, durante sua fala, que foi compartilhada com Fernando López, da Rede Clamor. “Estas fuentes de verdad seguirán siendo fuentes de vida, si logramos reconocer las heridas para sanarlas, y, sanándolas, saber perdonar, y, con el perdón, alcanzar la reconciliación, y reconciliándonos, construir escenarios de paz.”

 

 

“O pagábamos o nos iban a matar”

 

 

Ana Milena durante o relato de sua fuga da Colômbia.

 

O ponto principal do evento foi o momento de participação de oito testemunhos de pessoas vítimas da violência da Colômbia. Elas fugiram de suas casas, deixando tudo para trás, tentando se salvar e às suas famílias. Ana Milena Rincón, nascida em Medellín, Colômbia, ameaçada por grupos armados, se deslocou com a família para o Equador.

 

Ela conta que sua família trabalhava em uma padaria quando aconteceram as ameaças. “En el año 2004 estábamos trabajando, pero teníamos que acudir, como comerciantes, a unas reuniones con los grupos armados. Estas reuniones eran para informarnos que teníamos que pagar unas vacunas porque este municipio no tenía una represa, querían construir una represa porque no tenía agua potable, entonces nosotros como comerciantes teníamos que pagar estas vacunas para dicho proyecto, que era organizado por los miembros de la FARC. Si no cumplíamos con estas vacunas podíamos ser secuestrados, hasta muertos, desaparecidos”, contou.

 

Ainda, segundo Ana, por querer seguir o sonho, a família continuava cumprindo com os pagamentos mensais, até o momento em que a violência e as cobranças aumentaram e sua família não podia mais pagar. “Lo primero que hicieron fue un intento de secuestrar a mi hermano mayor. Gracias a Dios el Ejército Colombiano pudo salvar a mi hermano” relata. Alguns dias depois, chegou em  sua casa uma carta do grupo armado, exigindo que se não cumprissem com os pagamentos, teriam que abandonar o lugar. "O pagábamos o nos iban a matar. ¿Qué hicimos nosotros? Obviamente tuvimos que salir huyendo, dejando todo atrás. Dejando nuestros sueños”, conta.

 

Por alguns meses ficaram na cidade de Palmira, mas foram encontrados e continuaram as ameaças. “Siendo así huimos a Ecuador, donde pedimos un refugio. Las cosas no fueron tan fáciles, porque el solo hecho de que te escuchen y que sos colombiano, a las mujeres nos hostilan como prostitutas, a los hombres un narcotraficante, y peor a nuestros niños en las escuelas, por solo ser colombianos se incrementa el bullying.”

 

“Soy muy agradecida porque aquí encontramos ayudas, estas ayudas nos han llevado a nosotros como familia a tener un poco de tranquilidad. Pero no hemos, como familia, olvidado de que tenemos un sueño, que queremos volver algún día, y encontrar que en Colombia haya justicia, que haya paz. Que nuestras voces no serán olvidadas. Estoy muy agradecida con la Misión Scalabriniana, porque ha sido una de las organizaciones que más nos apoyan a nosotros como migrantes aquí en Ecuador. Espero algún día poder volver y que ese temor que siento en que, quizás, vuelvan a verme, vuelvan a saber de mí, no vuelva”, finaliza.

 

Assista o evento:

 



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