Igreja
15 de fevereiro de 2021 Uma mulher no sínodo: prelúdio de 2022
De olho na próxima assembleia de bispos, o papa toma decisões revolucionárias que demonstram o quanto ele quer uma igreja mais inclusiva e menos centralizada

 

Mirticeli Medeiros*

Francisco prepara o terreno para 2022, o ano do tão esperado sínodo sobre a sinodalidade. Ficou claro, com as recentes nomeações – inclusive de uma mulher para o Sínodo dos Bispos – que o pontífice começa a direcionar, aos poucos, a pauta do encontro. Segundo sua visão de sinodalidade, o povo de Deus, para além da instância clerical, precisa ter voz dentro da Igreja.

O Sínodo da Amazônia, realizado em outubro de 2019, entrou em cheio nessas questões: pediu uma maior participação das mulheres nas decisões da instituição e um olhar mais atento às necessidades locais. Além disso, causou um impacto não simplesmente por ter pontuado os desafios da Igreja no território, mas por causa do 'debate universal' gerado a partir daquela realidade específica.

Nunca uma assembleia especial – geralmente convocada para tratar de uma determinada área geográfica – fez tanto barulho. Isso porque, dessa vez, contemplou uma realidade tão plural quanto a própria Igreja. Foi uma espécie de 'concílio' dos esquecidos, daqueles cuja visão de mundo está à margem das grandes discussões na sede do catolicismo. Alguns temas evocaram aqueles tratados pelos bispos latino-americanos no Concílio Vaticano II, realizado na década de 1960.

Foi a assembleia que mais contou com a participação de mulheres na história, discutiu a possibilidade de criar mais um rito dentro da igreja latina (ocidental) e reacendeu o debate a respeito da autorização para que homens casados celebrem alguns sacramentos.

Embora o papa não concorde com muitas das propostas, viu nessa última reunião de bispos uma leitura de sinodalidade bastante compatível com a que ele tem. Se sinodalidade significa caminhar juntos, a descentralização e a inclusão são palavras de ordem nesse processo.

As mulheres no ano que vem

Dentre os temas abordados, muitos esperam que o diaconato feminino, muito embora não seja uma questão prioritária, volte a ser refletida pelos bispos. A comissão que estuda a proposta ainda está ativa e certamente irá contribuir com o debate em 2022.

Porém, para alguns, Francisco já deu seu veredito ao permitir, no mês passado, que mulheres possam receber os ministérios de leitor e acólito. Como não se trata de graus do sacramento da ordem, talvez tenha sido uma saída de mestre do papa para agradar a gregos e troianos. Levando-se em consideração que ele é declaradamente contrário à ordenação de mulheres, mas admite que elas precisam de mais reconhecimento dentro da instituição, quis silenciar tanto os progressistas e conservadores que, a toda hora, 'passam do ponto'.

Essa decisão, aliada às recentes nomeações de mulheres para assumir cargos até então ocupados por clérigos, no Vaticano, confirma aquilo que ele já disse em outras ocasiões: para promover mulheres dentro da Igreja não é necessário clericalizá-las.

É provável que, em 2022, seja dada uma atenção especial às mulheres, ainda mais agora que elas possuem uma representante com direito a voto no sínodo. De que maneira elas poderão contribuir com a sinodalidade que Francisco tanto almeja? Há outras 'diaconias' – funções e serviços – que poderiam ser criadas para que elas possam atuar, efetivamente, nas dioceses?

*Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.?



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