Brasil
12 de fevereiro de 2021 “Eis a minha arma”: 16 anos do assassinato da Irmã Dorothy Stang
Irmã Dorothy foi assassinada em 2005, a mando de fazendeiros, no município de Anapu, no Pará, após ter seu trabalho reconhecido internacionalmente.

 

POR AMANDA ALMEIDA

IMPRENSA SCALABRINIANA

SÃO PAULO - DA REDAÇÃO


Há 16 anos, no dia 12 de fevereiro de 2005, foi assassinada Irmã Dorothy Mae Stang, em Anapu, no Pará. A religiosa americana era uma das principais vozes na luta por uma reforma agrária justa, buscando soluções para os conflitos que, até hoje, assolam a Região Amazônica, relacionados à posse e exploração da terra.


Irmã Dorothy foi assassinada aos 73 anos de idade, em uma estrada de terra de difícil acesso a 53 km da sede do município de Anapu. Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos, foi perguntada se estava armada, ao que mostrou a Bíblia dizendo “Eis a minha arma!”, depois disso leu alguns trechos aos atiradores, que em seguida dispararam 6 vezes contra a religiosa - atingindo-a uma vez na cabeça e outras 5 ao redor do corpo.


O corpo da Missionária está enterrado em Anapu, Pará, onde até hoje recebe homenagens de admiradores do trabalho por ela realizado.


Início da vida religiosa e ministério no Brasil


Nascida em 7 de junho de 1931, em Ohio, nos EUA, ingressou na vida religiosa aos 19 anos, em 1948, e emitiu seus votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência em 1956. De 1951 a 1966, foi professora em escolas da congregação, nos EUA, e veio para o Brasil em 1966, quando iniciou seu ministério pastoral e social no país.


Irmã Dorothy iniciou sua missão no Brasil na cidade de Coroatá, no Maranhão, e fazia parte da CPT (Comissão Pastoral de Terra) da CNBB desde sua fundação. Ela chegou na Amazônia na década de 70, e  mantinha uma intensa agenda de diálogo com lideranças políticas, religiosas e camponesas em busca de soluções para os conflitos da região, que seguem até os dias atuais. Com o tempo, sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da Vila de Sucupira, em Anapu, Pará, e ganhou grande reconhecimento nacional e internacional.


Sua atividade pastoral na Amazônia buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas pelo desmatamento ilegal, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Dentre suas iniciativas, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia, a Escola Brasil Grande.


Em 2004 foi premiada pela Ordem dos Advogados do Brasil (Seção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Pela defesa de seus ideais, recebeu diversas ameaças de morte e, sem se deixar intimidar. “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar”, declarou Irmã Dorothy à época.


A religiosa foi a responsável pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, um modelo de assentamento e gestão que produzia uma fonte segura de renda com a colheita de madeira, sem a destruição da floresta. A área, porém, era disputada por madeireiros e latifundiários, que, por isso, encomendaram a morte de Irmã Dorothy.


Após o falecimento da religiosa, as irmãs Jane Dwyer e Kátia Webster, da mesma congregação de Stang, continuam sua luta e dão esperança ao seu legado.


 

Túmulo da Irmã Dorothy Stang, em Anapu, Pará.

 

Conflitos na Amazônia seguem acontecendo


Segundo dados divulgados em um relatório da Human Rights Watch em 2019, na última década mais de 300 pessoas foram assassinadas no Brasil, em conflitos por posse de terra ou por exploração de recursos naturais na Amazônia. 


Ainda segundo dados do relatório, a região é marcada por impunidade e violência. A instituição utilizou dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na elaboração do relatório. Foram analisados 28 dos casos de assassinatos ocorridos na Amazônia brasileira, quatro tentativas de homicídios e 40 ameaças. 


“Dos 300 assassinatos mapeados pela CPT, só 14 chegaram à Justiça. Entre os 28 examinados pela Human Rights, apenas dois foram julgados. No caso das 40 ameaças, nenhuma chegou à instância judicial”, destaca César Muñoz, pesquisador da instituição.


Segundo o relatório, dos 28 assassinatos analisados, pelo menos 19 foram precedidos de ameaças contra as vítimas ou suas comunidades. “Se as autoridades tivessem realizado investigações minuciosas sobre esses atos anteriores de intimidação, poderiam ter evitado os assassinatos”, pontua o documento.


 


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