África
15 de janeiro de 2021 Jovem angolano à frente de projectos espaciais
Especialista em negócios no sector espacial e, também, em Telecomunicações e Gestão de Projectos Aeroespaciais, Eldrige de Melo destacou-se, no ano passado, pela sua enorme contribuição e inúmeras representações de Angola no sector espacial, a nível da Europa e das Nações Unidas.

 

 

 

Eldrige de Melo - © Fotografia por: Edições Novembro

 

Foi o primeiro jovem angolano a participar no Programa de Pós-Graduação em Comercialização do Sector Espacial, fruto de uma parceria entre a Universidade Espacial Internacional (França) e a Florida Tech (USA).Há dias, Eldrige de Melo teve a honra de aparecer nos murais de celebração dos grandes feitos dos estudantes mais destacados da Universidade Espacial Internacional. Com sede em Illkirch-Graffenstaden - Estrasburgo, França, a Universidade Espacial Internacional (ISU) é uma instituição dedicada a afiliações internacionais, colaboração e actividades académicas abertas e relacionadas à exploração e desenvolvimento do espaço sideral.

 

A universidade foi fundada, em 1987, para garantir formação de excelência nos cursos de mestrado em "Estudos da Ciência Espacial”, "Administração da Ciência Espacial”, e "Administração de Negócios Espaciais”."Talvez pela qualidade do trabalho apresentado, porque acho que não fiz muito para merecer tal distinção. Apenas tive o privilégio de fazer parte dessa formação, no ano passado. Estava a concluir o curso de mestrado quando um amigo me disse que iria ­começar uma pós-graduação em comercialização de serviços espaciais. Achei isso muito interessante”, lembrou. 

 

Actualmente, Eldrige de Melo trabalha na Finlândia como gestor de projectos espaciais na empresa ICEYE, que está a construir uma constelação de satélites de observação da terra, e disponibiliza ao mercado dados importantes que possibilitam a tomada de decisões a tempo e hora, pelas instituições governamentais e comerciais. Por exemplo, em caso de inundações numa determinada região, os especialistas da ICEYE, através de imagens do satélite, monitorizam as zonas afectadas para determinar os danos causados e apresentar possíveis soluções.

 

"Na verdade, somos dois pontos de contactos. Eu e o Marco Romero, um oficial da Força Aérea Angolana muito destacado na área espacial. Aliás, foi o primeiro ponto de contacto e tem sido uma grande inspiração para mim. A minha candidatura foi aceite depois de ele já estar lá”, revelou.Eldrige de Melo e Marco Romero têm um mandato de dois anos a contar de 2019. Ambos trabalham para melhorar os laços espaciais entre Angola e todos os outros países integrados no Conselho Espacial das Nações Unidas.

 

Um patrocínio da Aldrin Family Foundation

 

O percurso do jovem angolano, no sector espacial, começa com o seu enorme contributo para o crescimento do Programa Espacial Angolano, tendo-se destacado a nível das Telecomunicações Espaciais, Gestão de Projectos e Operações Espaciais em Angola, e mais recentemente com a sua contribuição para a criação do Ecossistema Espacial Angolano, passa a contar agora com o reforço das competências em política espacial comercial, mercados, tecnologia e empreendedorismo adquiridos durante a Pós-graduação."O que acontece na indústria espacial é que existe muita tecnologia, mas não se sabe o que fazer para torná-la cada vez mais rentável.

 

Os investimentos são muito altos, mas depois há dificuldades para ver o retorno financeiro”, disse, para acrescentar que a Pós-graduação ajudou-lhe a compreender melhor toda a tecnologia espacial desenvolvida, e como rentabilizá-la.Depois de fazer a candidatura via Online, a resposta só chegou um mês depois. Eldrige olhou para os custos da formação e resolveu recuar. "O curso custava 15 mil dólares norte-americanos”, disse, ao Jornal de Angola.Tomada a decisão de desistir, teve uma agradável surpresa.

 

O promotor do curso, a fundação norte-americana Aldrin Family Foundation, que homenageia Buzz Aldrin, o engenheiro mecânico e astronauta norte-americano que, como piloto do módulo lunar da missão Apollo 11, tornou-se, em 1969, o segundo homem a pisar  a superfície da Lua, ficou encantado com o perfil do jovem angolano e resolveu pagar-lhe o curso.  "Um dos filhos de Aldrin, que gere a fundação, ligou para falar directamente comigo. Ele disse que eu estava a caminhar muito bem na área espacial, por isso resolveram pagar o meu curso”, contou emocionado.

 

A nível da comercialização dos serviços espaciais, alguém deve vender, por exemplo, os serviços ligados a Dstv e Zap. O especialista em negócios espaciais, Eldrige de Melo, aclara que a empresa que fabrica e vende descodificadores e subscrições desse tipo de serviços é obrigada a comprar uma determinada capacidade espacial no satélite."Navegamos nos telemóveis, através de um aplicativo que depende do satélite. Portanto, os donos desses satélites procuram vender a capacidade e todos os outros benefícios que a tecnologia pode oferecer”, esclareceu, para acrescentar que desta forma está-se a fazer um negócio espacial.Segundo o gestor de projectos espaciais, o homem descobriu minerais importantes na lua, que serão muito úteis para todos os humanos.

 

Portanto, prosseguiu ele, ir para a lua, para Marte ou para o espaço, são negócios espaciais. Explicou, por exemplo, que um astronauta para conseguir um lugar, para ir ao espaço, pode pagar até 90 milhões de dólares norte-americanos.Como gestor de projectos espaciais dentro da ICEYE, Eldrige de Melo tem a responsabilidade de gerir vários projectos espaciais que envolvem a utilização de imagens captadas a partir do satélite, para monitorar as zonas marítimas e fronteiriças.Recentemente, disse, fizemos um trabalho para a Agência Espacial Europeia, que serviu para avaliar o impacto da Covid-19 na economia europeia, utilizando imagens aéreas fornecidas pelo satélite."O meu trabalho envolve, também, o apoio a missões de paz. É através dessas imagens que nós conseguimos determinar se há ou não actividade militar em algum lugar do mundo, para que a resposta seja feita de forma adequada e antecipada. Esse tipo de trabalho ajuda as autoridades mundiais a tomarem as decisões mais acertadas”, disse.

Programa Espacial Nacional  

 

Em 2015, candidatou-se ao Programa Espacial Nacional. Depois de admitido, foi capacitado para actuar na área de telecomunicações entre o satélite e a terra. Trabalhava no Banco Atlântico Millenium quando o país começou a desenvolver o programa espacial."Quando saí da banca já era engenheiro de sistemas informáticos. Mas nunca sonhei nada com isso. Apenas quis trabalhar no programa e pouco a pouco fui aprendendo a gostar disso. E agora estou apaixonado”, disse.

 

Pai de três filhos, Eldrige de Melo nasceu, em 1989, no Huambo. Mas devido à guerra que assolou o país, e a província, em particular, os pais levaram-no a capital do país (Luanda), nos anos 90. "Ainda era uma criança, quando os meus pais fugiram à guerra para viver em Luanda. Cresci no bairro do São Paulo”, recorda.Ainda adolescente, foi à Namíbia, onde concluiu um curso médio na área de Telecomunicações, e depois o superior na área de engenharia em sistemas informáticos. Ficou lá durante dez anos. 

 

Satélite africano

 

Eldrige de Melo trabalha no desenvolvimento de várias startups, para área espacial em Angola. Sob a liderança do angolano Marco Romero, um oficial da Força Aérea Angolana, o projecto Humbisat-1 está a ser desenvolvido em parceria com outros jovens africanos mais destacados no sector espacial."Estamos a construir o primeiro satélite africano, e dentro desse projecto temos um programa massivo de capacitação de jovens do continente para a área especial, cuja previsão de lançamento, para o espaço, acontece em 2022.

 

Outro projecto de desenvolvimento do ecossistema especial angolano, com Marco Romero e mais de 40 jovens angolanos, tem a denominação de "New Space Angola” com a finalidade de criar startups para desenvolver tecnologia e serviços espaciais no país. Ainda com a contribuição de Marco Romero, o jovem Eldrige de Melo trabalha na elaboração de um projecto de abastecimento eléctrico, através de satélites, sob a liderança de Meshack Ndiritu, de nacionalidade Queniana e quadro sénior da União Africana.

 

O objectivo da implementação desse projecto é criar uma fonte de abastecimento eléctrico, com a utilização de uma constelação de satélites, que irá captar energia solar e enviar para a Terra.O projecto denominado Humbitec - Startup Angolana, desenvolve soluções espaciais para a utilização de dados de satélites. O objectivo é apoiar os diversos sectores em Angola, com destaque para a agricultura e desastres naturais como a seca. "Nesse momento, o projecto caminha para a fase final, e nos próximos meses vamos fazer a primeira demonstração para a Força Aérea Nacional (FAN) e Polícia Nacional (PN) ”, anunciou.

 

Imprensa Scalabriniana com Jornal de Angola



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