África
30 de abril de 2020 Covid-19 na África do Sul: o amor fala mais alto
Na África do Sul o número das contaminações e mortes tem chamado a atenção de autoridades médicas e organizações. O fato se atribui às medidas rígidas tomadas pelo governo desde o início e a resposta positiva da população ao confinamento.

  

Carreta de doações feitas pelo sr. Helder é descarregada pelos missionários e leigos. Foto: Arquivo Scalabrinianas./África do Sul.

 

POR ROSINHA MARTINS

DA REDAÇÃO

SANTO ANDRÉ – SP

 

Quando o amor fala mais alto, o coração escuta os clamores dos necessitados e as mãos se movem. As lágrimas lavam a face de quem é solidário e os que rezaram se enchem de alegria ao ver suas preces ouvidas.

 

É o que aconteceu com as Irmãs Missionárias Scalabrinianas, Marivane e Marizete Garbin em Joanesburgo, na África do Sul, que atuam junto aos refugiados e migrantes.

Irmã Marizete é coordenadora da Pastoral dos Refugiados e Migrantes da Arquidiocese de Joanesburgo e Irmã Marivane, coordena a Casa de Acolhida a mulheres e crianças refugiadas, Bienvenu Shelter.

 

Elas contaram, por telefone, à Imprensa Scalabriniana que nesses tempos de lockdown - como é conhecida a ‘quarentena’ naquele país de língua inglesa – a falta do necessário para a sobrevivência dos refugiados e migrantes as levou a colocar os joelhos por terra e pedir a intercessão do alto para que as famílias tivessem ao menos como suprir necessidades básicas como a alimentação.

 

“Para a nossa surpresa um dia após as nossas incessantes orações, recebemos uma notícia da senhora Sandra de Pontes que alguém poderia fazer doações. Dois dias após vieram até nós, os senhores Helder de Andrade, Angelino e Damaceno com uma carreta imensa, cheia de mantimentos. ”

 

Ainda, segundo Irmã Marizete, o sr. Helder se derramou em lágrimas de emoção e lhe disse: “ Irmã, infelizmente não posso dar-lhe um abraço, mas creia-me, continuarei doando da minha colheita ao menos duas vezes por mês”.

 

Com as doações as Irmãs puderam ajudar 521 famílias. “Trabalhamos três dias seguidos distribuindo os alimentos, felizes e agradecidas”, conta. “Muitas das famílias que beneficiaram desse gesto de solidariedade, foram as mulheres refugiadas mais carentes que passaram pelo Bienvenu Shelter e as Paróquias onde organizamos o cuidado Pastoral para os Refugiados e Migrantes”, conta a missionária.

 

O posicionamento do governo frente à pandemia

 

Irmãs Marivane Chiesa e Marizete Garbin confeccionam máscaras na casa de acolhida Bienvenu Shelter. Foto: Arquivo Scalabrinianas/África do Sul.

 

Na África do Sul o número das contaminações e mortes tem chamado a atenção de autoridades médicas e organizações. O fato se atribui às medidas rígidas tomadas pelo governo desde o início e a resposta positiva da população ao confinamento.

 

“O lockdown tem sido respeitado e se alguém tenta infringir a lei pode ser aprisionado. Para atuar junto aos refugiados, a Casa de Acolhida Bienvenu Shelter, missão das Irmãs Scalabrinianas, recebeu licença do Governo local”, conta Irmã Marivane Chiesa.

 

Outra possível justificativa está nas vacinas tomadas desde a infância contra a malária que podem favorecer positivamente a reação do organismo no combate à ação do vírus. Em relação a esta teoria, porém, há divergências. "Essas ideias já existem há algum tempo. Ficaria surpreso se fosse o resultado de uma vacina. Essas teorias provavelmente não são verdadeiras", afirma o médico infectologista sul africano, Tom Boyles.

 

Refugiados na África do Sul

 

Por ser um dos países mais desenvolvidos do sul do Continente, a África do Sul tem atraído cidadãos de mais de 10 países, entre eles, Zimbabwe, Uganda, República Democrática do Congo, Etiópia, Burundi, Malawe, Angola e Moçambique. Além de ser visto como a “terra que corre leite e mel”, Joanesburgo é um corredor de passagem para a Europa, Estados Unidos, Austrália, etc, em busca de segurança e melhores condições de vida”, informou Irmã Marivane.

 

Joanesburgo concentra uma grande população que permanece, por vezes, há mais de 10 anos como solicitantes de refúgio, isso devido à travessia irregular e ao processo de aquisição de documentos que é muito lento e conta com um sistema burocrático exigente.

 

“O nosso esforço nesse momento, - relata Irmã Marivane - é centrar nossa atenção naqueles refugiados mais necessitados, entre eles, as mulheres que vivem sozinhas com crianças, aquelas que fazem tratamento de HIV, as que passaram pela Casa Bienvenu Shelter, para que tenham material de higiene e uma alimentação mais saudável, afim de permanecerem fortes diante da pandemia. ”

 

Nos próximos dias, as Scalabrinianas unem forças para ajudar mais 400 famílias na distribuição de cestas básicas. As ajudas vêm do governo e de pessoas de boa vontade.

 

Confecção de máscaras

 

Máscaras confeccionadas pelas Irmãs e pessoas da casa da acolhida Bienvenu Shelter. Foto: Arquivo Scalabrinianas./ Árica do Sul.

 

Outra prioridade da Casa Bienvenu Shelter é confeccionar máscaras para a proteção de refugiados e migrantes, das quais parte está sendo para os mais carentes e parte vendida para a manutenção do serviço de acolhida a mulheres e crianças refugiadas que ali vivem.

 

 

Fonte: Imprensa Scalabriniana com colaboração das Irmãs Marizete Garbin e Marivane Chiesa, missionárias na África do Sul.

Imagens:Arquivo Scalabrinianas/África do Sul


 

 


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