África
14 de janeiro de 2022 Tigré: violência força a retirada de assistência humanitária
A Etiópia vive desde 2020 uma guerra civil que já forçou o deslocamento de mais de 2 milhões de pessoas e a recente retirada das equipes de assistência humanitária da região do Tigré.

Deslocados etíopes fogem da violência na região do Tigré.


POR AMANDA ALMEIDA
IMPRENSA SCALABRINIANA
DA REDAÇÃO – SÃO PAULO


Como consequência da guerra civil que atinge a Etiópia desde novembro de 2020, com conflitos entre a TPLF (sigla em inglês para Frente Popular de Libertação do Tigré) e o governo etíope, uma série de ataques com drones vem atingindo diversas áreas habitadas por refugiados e deslocados pela violência e fome no Tigré, na região norte da Etiópia. A situação já forçou a retirada de equipes de assistência humanitária da área.


Na quinta feira (13), o comitê responsável pelo Nobel da Paz pediu ao primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, vencedor do prêmio em 2019, que encerre o conflito na região. “Como primeiro-ministro e vencedor do Nobel da Paz por resolver os conflitos entre a Etiópia e a Eritréia, Abiy Ahmed tem uma responsabilidade especial de terminar o conflito e contribuir para a paz”, disse a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen, em declaração.


Na segunda feira (10), um ataque matou pelo menos 17 pessoas, das quais a maioria eram mulheres, na cidade de Mai Tsebri, apenas 3 dias após um ataque que resultou na morte de 59 pessoas e mais de 130 feridos em um campo de deslocados em Dedebit. Por causa da falta de segurança na região, equipes humanitárias suspenderam suas atividades até que seja seguro retornar aos trabalhos.


O ataque de 7 de janeiro aconteceu no mesmo dia em que o governo etíope anunciou que iniciaria um diálogo com a oposição, que se seguiu com a libertação de presos políticos. Após esse anúncio, Getachew Reda, membro do comitê executivo da TPLF, escreveu em sua conta no twitter sobre seu ceticismo quanto às promessas do governo de que “a rotina diária de Ahmed de negar medicamentos a crianças indefesas e de lançar drones contra civis vai de encontro com suas alegações hipócritas.”


Já o ataque do dia 10 levou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a falar com o premiê etíope por telefone. Durante a conversa, Biden levantou preocupações sobre as vítimas civis e o sofrimento causado por ataques aéreos, além de reafirmar a intenção de ajudar a resolver o conflito. 


A guerra no Tigré


Os conflitos se iniciaram na região em novembro de 2020, após uma investida do governo do primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed contra a TPLF. Apesar das promessas de que seria uma intervenção rápida, a ofensiva já dura mais de um ano, com abusos das duas partes e ataques à civis, que fogem da violência e da fome e se concentram em campos de deslocados, principalmente no Sudão. 


Diversas organizações internacionais denunciam a realização de campanhas de limpeza étnica e violência sexual generalizada contra a população do Tigré, assim como uma grave e crescente insegurança alimentar. As consequências do conflito já geraram mais de 2 milhões de deslocados, que fogem da violência e da fome.


Bloqueio de equipes humanitárias


Segundo uma denúncia do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, natural da região do Tigré, a ONU está impedida de entregar material médico na região desde julho de 2021. Essa situação só ajuda a demonstrar o que acontece com muitas outras equipes de assistência aos deslocados, que suspenderam temporariamente as atividades na região após os recentes ataques aos campos de deslocados.


Ainda em junho de 2021, foi anunciado pela Organização Médicos Sem Fronteiras que três profissionais da equipe foram mortos enquanto viajavam até a região do Tigré para dar assistência aos afetados. María Hernández, 35, coordenadora de emergência, Yohannes Halefom Reda, 32, coordenador assistente, e Tedros Gebremariam, 31, motorista da equipe, tiveram seus corpos encontrados no dia 25 de junho a cerca de 400 metros do carro onde viajavam. O crime continua sem resposta.




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