Mundo
13 de janeiro de 2022 Migrantes. Carta aos socorristas no mar: “O Papa reza pela missão de vocês”
Em uma mensagem ao "Mediterranea", o cardeal Czerny envia as saudações do pontífice: "Obrigado por sua coragem em querer partir novamente". Em Trapani "detido" o navio da Cruz Vermelha.



POR NELLO SCAVO
TRADUÇÃO DE LUISA RABOLINI


"O Santo Padre reza pela missão de vocês". Poucos dias antes da partida do navio Mare Jonio de Trapani, foi entregue aos voluntários do "Mediterrâneo" uma nova carta da Santa Sé. Foi assinada pelo Cardeal Michael Czerny, prefeito interino do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.


Na mensagem Czerny transmite as saudações do Papa Francisco à organização. "O Santo Padre reza pela missão de vocês, nós também rezamos por ele como ele sempre nos pede. Juntamente com meus sinceros votos de um Santo Natal, apresento aqueles do Papa Francisco a toda a Mediterranea Saving Humans e quantos junto com vocês colaboram com a missão de criação de um mundo em que possamos realmente ser todos irmãos e irmãs”, lemos na carta.


A notícia chega enquanto é divulgado que após mais de onze horas de inspeção, o "Ocean Viking", o navio de socorro usado pela "Sos Mediterranee" e gerenciada em colaboração com a "Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e da Crescente Vermelha", foi submetida a detenção administrativa no porto de Trapani.


Pouco mais de um ano após ser liberado de outra detenção que durou cinco meses, o navio foi novamente bloqueado, por motivos distintos da disposição anterior. Desta vez, as principais falhas observadas pelos funcionários do Port State Control dizem respeito a outra área do navio: os contêineres no convés de popa do Ocean Viking. Questiona-se a certificação dessas estruturas como "carga", "dois anos e meio depois - comentam a bordo - que estas estruturas foram instaladas em estaleiro profissional e certificadas por todas as entidades reguladoras pertinentes".


Por ocasião do aniversário do pontífice, uma carta de Padre Mattia Ferrari, capelão da plataforma humanitária, chegou ao pontífice. Alguns dias depois veio a resposta oficial de Czerny. “Em nome do nosso Papa Francisco, agradeço-vos por sua carta de 13 de dezembro e por vossas notícias”. Depois de muitos meses “em que tiveram que ficar parados, agradeço-lhe – escreveu o cardeal – também pela coragem de partir novamente com o Mare Jonio, para retomar a missão no mar junto com as outras organizações da “frota civil”. Continuo a rezar por vós, assim como também o Papa Francisco vocês podem ver que continua a pedir nas suas intervenções públicas que se abram vias legais e seguras de acesso à proteção internacional”.


Para o cardeal, “ajudar nossos irmãos e irmãs migrantes é o maior serviço que vocês poderiam oferecer. Acompanhamos vocês em seus “espinhos”, críticas e calúnias”. Daí um encorajamento: “Vocês experimentaram no meio do mar que a fraternidade universal pode ser curada com o amor, plenamente manifestada na Cruz de Jesus. Continuem trilhando esse caminho de amor sem esmorecer. O nosso sonho comum de uma fraternidade universal torna-se realidade graças a gestos como os vossos, tornando-vos verdadeiramente irmãs e irmãos dos nossos migrantes e refugiados”.


“Procuramos, na nossa pequenez, fazer a nossa parte”, dizia Ferrari. Em seguida, relembrando um episódio: "O Crucifixo com o colete salva-vidas recuperado após um naufrágio que lhe demos como presente e o senhor exibiu quer lembrar ao mundo justamente o que vivemos no meio do mar: a fraternidade universal se rompeu, mas o amor, manifestado em plenitude na Cruz de Jesus, pode curá-la”. Alguns meses antes, em 19 de dezembro de 2019, o Papa Francisco havia feito um gesto inesperado. No acesso ao Palácio Apostólico do Cortile del Belvedere, ele mandou colocar uma cruz, feita com água do mar, com um colete salva-vidas como símbolo dos tantos mortos sem nome afogados no Mediterrâneo. A cruz foi realizada e doada ao papa justamente por voluntários italianos.


Desde então seguiram-se numerosos encontros com bispos italianos e europeus, entre os quais Jean-Claude Hollerich, cardeal presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia, que com a ajuda das dioceses tornaram possível realizar numerosas operações de resgate no mar.


Não é a primeira vez que se torna pública parte da intensa correspondência entre o Vaticano e os socorristas no mar das várias ONGs. Em 10 de abril de 2020, o Papa Francisco havia escrito uma carta de próprio punho endereçada a Luca Casarini, chefe da missão do Mediterrâneo: “Obrigado por tudo o que vocês fazem. Gostaria de dizer que estou sempre à disposição para ajudar. Contem comigo". Nos próximos dias, o Mare Jonio deveria retornar ao mar em direção à área de busca e salvamento ao sul de Lampedusa. Como todas as outras organizações humanitárias, o Mediterranea também passou por procedimentos judiciais e sequestros. E como todas as outras organizações, nunca se chegou a um processo.



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