África
25 de março de 2021 Deslocamento em Cabo Delgado ainda não preocupa o mundo
Aproximadamente 700 mil pessoas já fugiram da violência; números continuam aumentando como resultado da crescente insegurança; representantes da agência visitaram província na semana passada.

 

 Deslocados fazem fila para obter água em Metuge, província de Cabo Delgado, em Moçambique. Unicef/Mauricio Bisol

 

OURI POTA

DE MAPUTO

 

Cerca de  670 mil pessoas já fugiram da violência em Cabo Delgado, no nordeste de Moçambique, mas a crise ainda não conseguiu atrair a atenção do mundo.
Para destacar a situação, a alta comissária assistente para Proteção da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, Gillian Triggs, e o alta comissário assistente para Operações, Raouf Mazou, visitaram a região na semana passada.

 

 

 

Necessidade


Em nota, a agência afirma que a maioria das pessoas busca abrigo na comunidade local e centros urbanos, enquanto outros foram realocados em assentamentos improvisados, onde estão privados de serviços básicos. 


Gillian Triggs e Raouf Mazou estiveram em Ancuabe, que hospeda 951 famílias. No assentamento, as famílias enfrentam dificuldades para retomar a sua vida normal. 


Para os assistentes do Acnur, a crise humanitária e de proteção é grave. A necessidade de abrigo adequado e resistente é uma prioridade, uma vez que às chuvas fortes se fazem sentir na província.


Gillian Triggs disse que a situação de Cabo Delgado é uma verdadeira tragédia humanitária, o que obriga o reforço das necessidades de proteção para mulheres, crianças e homens. 


Já Raouf Mazou afirmou que o deslocamento de pessoas “pode não parar tão cedo”. Ele elogiou as comunidades anfitriãs pelo gesto de acolhimento a milhares de famílias deslocadas.
O Acnur trabalha em coordenação com o governo e outras organizações internacionais e parceiros para prestar ajuda aos deslocados internos. 

Dados da agência indicam que mais de 2 mil pessoas foram mortas desde o início dos ataques, em 2017. Existem relatos generalizados de abusos de direitos humanos e desrespeito ao Direito Internacional Humanitário. 

 

Vítimas


Herculano de 64 anos, é uma das vítimas desta crise. Ele deixou tudo para trás, fugindo da sua aldeia no distrito de Quissanga com sua família, incluindo dez filhos e oito netos.


Ele contou ao Acnur que trabalhava na roça e não tinha problemas em alimentar sua família. Ele tinha uma oficina de carpintaria e também criava gado, como cabras, galinhas e patos. Agora, ele diz que a situação é difícil, porque não consegue “ganhar nem um centavo.”


Além dos ataques, a região está a recuperar-se dos recentes choques climáticos, incluindo ciclones, inundações e surtos recorrentes de doenças transmitidas pela água.


O Acnur tem prestado assistência humanitária de emergência, distribuindo materiais para abrigos, itens básicos de socorro, como lonas, colchões, cobertores, conjuntos de cozinha, baldes e lâmpadas solares. Até ao momento, apenas 39% do apelo do Acnur para Cabo Delgado foi financiado.

 


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