África
4 de fevereiro de 2021 Guerra do Sahel tem impacto direto na crise de migrantes no Mediterrâneo
A guerra já obrigou quase 3 milhões de pessoas a se deslocarem na região, muitas delas tentam cruzar o mar até a Europa fugindo dos conflitos.

Fabian Mondl/SOS Mediterranee

POR AMANDA ALMEIDA
IMPRENSA SCALABRINIANA
 
SÃO PAULO - DA REDAÇÃO

 

Nas primeiras semanas de 2021 a ONU registrou um naufrágio que vitimou 43 pessoas no Mediterrâneo. Durante o ano de 2020, mais de 1200 pessoas morreram ou desapareceram em acidentes semelhantes ao tentarem cruzar o mar para a Europa, fugindo da África.


O Mediterrâneo Central, atual rota mais utilizada pelos migrantes, na sua maioria, africanos, é considerada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) como a mais perigosa, por causa da distância entre a costa da Líbia, de onde grande parte dos barcos partem, e a costa da Itália, onde pretendem desembarcar - em alguns pontos a distância pode chegar até a 500 km.


Os migrantes vêm de diversas partes da África, fugindo da violência e de perseguições, e tentam chegar à Europa em busca de uma vida melhor. Mesmo com os riscos da fuga, preferem enfrentar os perigos do Tráfico Humano, abusos, violência, trabalho forçado e violência de gênero, a permanecer em áreas de guerra, como na região do Sahel, que fica entre o deserto do Saara, ao norte, e a Savana do Sudão, ao sul, de onde vem grande parte dos migrantes.


A Guerra no Sahel


A Guerra do Sahel é um conflito armado entre os países da região do Sahel, em particular Mali, Níger, Mauritânia, Burkina Faso e Chade, e os grupos jihadistas salafistas, ligados principalmente à Al-Qaeda. A violência na região eclodiu após a revolução na Líbia em 2011 e uma revolta no Mali em 2012. Desde então, milhares de pessoas são obrigadas a deixarem suas casas para fugir da violência.


Grupos armados, extremistas e facções criminosas aterrorizam a população, matando aqueles que se recusam a lutar ao lado deles. Assassinos atiram nas famílias até que elas morram, estupram e torturam mulheres. Além disso, eles destroem qualquer coisa que simbolize o estado: escolas, delegacias e até hospitais.


Segundo dados do Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, mais de 4.600 pessoas morreram por causa dos conflitos apenas nos 6 primeiros meses de 2020, o ano mais mortal da guerra desde seu início, em 2012, quando militantes islâmicos invadiram o norte do Mali, iniciando a instabilidade da região que continua até os dias atuais.


Em Burkina Faso, por exemplo, a violência da guerra cresceu exponencialmente após 2016 - até então o país era exemplo de convivência pacífica entre comunidades etnicamente diversas e um local seguro para refugiados. Desde o início de 2021, mais de 11 mil pessoas foram obrigadas a fugir da região de Koumbri, no norte do país, por causa de ataques terroristas.


Segundo dados da ONU, cerca de 3 milhões de pessoas estão deslocadas no Sahel, interna e externamente, fruto da violência incessante na região. Muitas pessoas fogem para países vizinhos, onde o risco muitas vezes é tão alto quanto em seus países natais, além dos que recorrem à perigosa travessia do Mediterrâneo, onde muitas vezes acabam nas mãos de traficantes de pessoas, desaparecidos ou mortos. A falta de perspectiva de acordos de paz e estabilidade na região aponta que esses números só devem aumentar nos próximos anos.


Migrantes no Mediterrâneo


No início de 2021, com a volta de serviços de resgates de ONG’s ao Mediterrâneo, após restrições impostas pela Covid-19, mais de 500 migrantes foram resgatados no mar pelas organizações SOS Mediterrâneo e Open Arms, entre eles várias crianças, grávidas e menores desacompanhados.


Apesar dos resgates bem-sucedidos, no dia 19 de janeiro um barco naufragou no Mediterrâneo e matou pelo menos 43 pessoas, deixando apenas 10 sobreviventes, que foram resgatados por equipes de socorro. Os tripulantes eram todos homens, principalmente da África Ocidental, segundo os resgatados, que vinham da Costa do Marfim, Nigéria, Gana e Gâmbia.


O barco naufragou próximo à costa da Líbia, poucas horas após deixar a cidade de Zwara - que fica a cerca de 50 km a oeste da cidade de Trípoli, capital do país - por problemas no motor, devido às más condições climáticas.


Mesmo com a ajuda de ONG’s e programas de apoio aos migrantes, muitas pessoas são presas durante a travessia. Em 2020, cerca de 11 mil pessoas foram presas no mar e devolvidas à Líbia, de onde partiram, ao que o ACNUR segue afirmando que “a Líbia não é um porto seguro” - devido aos altos índices de violência no país. Além desses, outros milhares de migrantes estão detidos em centros de recepção superlotados, que seguem existindo mesmo com os pedidos da comunidade internacional para que sejam encerrados.



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Imagens da Semana On Monday, January 25, 373 migrants on board the Ocean Viking were disembarked in the port of Augusta in Sicily. The migrants had been rescued from three different small boats in the space of 48 hours.

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