Brasil
12 de janeiro de 2021 Pandemia da Covid-19 dificulta acolhida de refugiados venezuelanos em Brasília
De acordo com Instituto Migrações e Direitos Humanos, em torno de 2 mil imigrantes foram atendidos em 2020. Emprego ainda é principal barreira, dizem instituições.

 

 

Por Brenda Ortiz

 

O Distrito Federal é abrigo para refugiados venezuelanos desde 2018. No entanto, com a pandemia de Covid-19, esse trabalho enfrenta dificuldades e teve o alcance reduzido no ano passado, sobretudo diante da redução de vagas de emprego destinadas a imigrantes na capital.

 

Dados da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) apontam que há mais de 260 mil venezuelanos no Brasil, e no último ano, segundo o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), cerca de 400 pessoas, em trânsito, foram acolhidas em Brasília.

 

A diretora do IMDH, Irmã Rosita Milesi, afirma que outras 1,6 mil pessoas também foram apoiadas ou assistidas, seja no aspecto da documentação ou em ações sócio assistenciais, somando assim, 2 mil atendimentos no DF.  "Não temos informações sobre quantas destas permanecem no DF ou eventualmente foram para diferentes estados do país, em busca de trabalho ou para se reunirem com familiares", explica.

 

A Cáritas Arquidiocesana de Brasília tem um projeto que, desde 2018, oferece casas provisórias para refugiados que chegam à capital. De acordo com o diretor-executivo da entidade, Paulo Henrique de Morais, as famílias acolhidas podem ficar entre três e cinco meses nessas residências, até que tenham trabalho e condições de se sustentarem.

 

 

Indígenas venezuelanos estão acampados próximo à Rodoviária Interestadual de Brasília — Foto: Arquivo pessoal

 

No entanto, no período de pandemia, a instituição atendeu menos pessoas do que o planejado. Isso porque os refugiados precisaram ficar até oito meses nessas casas provisórias, o que, segundo o diretor da Cáritas, impediu novos acolhimentos.

 

"Tivemos muita dificuldade com relação a emprego. As empresas estavam fechadas, não tinham oportunidades. Então, todas as famílias precisaram de mais tempo."

 

Em junho de 2019, aproximadamente 20 indígenas da etnia Warao chegaram ao DF. O grupo cresceu e, atualmente, soma 78 pessoas, que vivem em um acampamento perto da Rodoviária Interestadual de Brasília.

 

Em setembro, a Secretaria de Desenvolvimento Social do DF (Sedes) iniciou o contato com os indígenas, para viabilizar um espaço de acolhimento.

 

Nas ruas, os Warao vivem em situação de vulnerabilidade, se alimentam e se mantêm com dinheiro que conseguem pedindo em semáforos, ou que receberam do Auxílio Emergencial, em razão da pandemia.

 

Na última segunda-feira (4), o GDF firmou uma parceria com algumas organizações internacionais especializadas no atendimento a imigrantes. O acordo foi firmado entre o governo e a Cáritas Arquidiocesana de Brasília, com apoio e colaboração de outras instituições.

 

 

 Conjunto de casas provisórias para grupo indígena Warao, no DF — Foto: Caritas Brasília/Divulgação

 

Segundo Paulo Henrique de Morais, a Caritas disponibilizou um espaço com capacidade de acolher 82 pessoas, em São Sebastião. "O GDF fechou um contrato para que os Waraos fiquem nessas casas de passagem por seis meses. Estamos trabalhando para que esses indígenas possam se mudar nesta próxima semana, o quanto antes", explica.

 

Trabalho contínuo

 

Os refugiados que chegam à Brasília são acolhidos por instituições como a Acnur, a IMDH, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pelo Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados e a Cáritas Arquidiocesana de Brasília.

 

O atendimento prestado a refugiados e a outros imigrantes no DF inclui cinco eixos: Incidência, enquanto ação em favor de políticas públicas e sua implementação;

 

Em razão da crise política e econômica na Venezuela, mesmo com as fronteiras fechadas, os refugiados continuam chegando ao Brasil. "O último ano foi mais complicado para receber e acolher os refugiados. Mas aqui no DF, nós temos nos preparado para, em 2021, trabalhar com mais pessoas. Estamos construindo mais casas e espaços para acolhimento", afirma Paulo Henrique.

 

Crise na Venezuela

 

Homem passa em frente a um mural com o rosto de Nicolás Maduro, em Caracas, na Venezuela, em foto de 22 de julho — Foto: AP Photo/Ariana Cubillos

 

Há cerca de 15 anos, a Venezuela enfrenta uma crescente crise política, econômica e social que se acentuou em 2019, com confrontos entre forças de segurança leais ao regime de Nicolás Maduro e manifestantes favoráveis à oposição liderada por Juan Guaidó.

 

Na época, diversas interrupções no fornecimento de energia e água ameaçaram uma catástrofe sanitária. A ONG norte-americana Human Rights Watch afirmou na época que a saúde do país estava sob "emergência humanitária complexa".

 

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a pandemia do novo coronavírus agravou o problema da fome em muitos países, inclusive na Venezuela.

 

Imprensa Scalabriniana com G1

 



ver mais notícias

Receba nossa newsletter Assine nossa newsletter e receba novidades por e-mail
Seu E-mail foi cadastrado com sucesso!
OpsSeu E-mail já está cadastrado em nosso newsletter!
ATENÇÃOO formato do e-mail está incorreto.
© Missionárias Scalabrinianas. Todo o conteúdo deste site é de uso exclusivo de Missionárias Scalabrinianas. Proibida reprodução ou utilização a qualquer título, sob as penas da lei. All rights reserved.