Mundo
8 de outubro de 2020 Violência na Líbia: refugiados enfrentam ciclos de crueldade
Escritório da Onu recebe denúncia de constantes violações dos Direitos Humanos na Líbia

 

 

 Foto: Alessio Romenzi/Unicef

 

POR LARISSA FREIRE

IMPRENSA SCALABRINIANA

DA REDAÇÃO

SÃO PAULO

 

 

Abusos, detenção arbitrária, tortura, tráfico, violência sexual e trabalho forçado. Estes atos de violência são relatos feitos por representantes do governo, parceiros da ONU, líderes comunitários, sociedade civil e 76 migrantes de 25 nacionalidades, ao Escritório das Organização das Nações Unidas (ONU).

 

De acordo com a ONU, migrantes africanos que tentam a travessia pelo Mediterrâneo para chegarem à Europa, têm vivido um constante “ciclo de violência”.

 

Em nota, no último dia 2 de outubro, o Escritório de Direitos Humanos descreve os sofrimentos pelos quais tem passados as pessoas em situação de refúgio como “horrores inimagináveis”, quando são repatriados após tentativa de travessia em botes de borracha mal equipados e muito precários. “Em busca de segurança na Europa, elas enfrentam “condições chocantes” na Líbia, no mar e muitas vezes também depois de serem recebidas na Europa”.

 

Expatriação

 

 

 Mulheres e crianças em centro de detenção para migrantes em Tripoli, na Líbia.  Unicef/Alessio Romenzi/

 

Durante a travessia da Líbia para chegar a Lampedusa, os migrantes têm sido barrados pela Guarda Costeira daquele país, à base de tiros e destruição das embarcações. Com medo de naufragar, muitas pessoas se atiram ao mar.

 

Também as Forças Armadas de Malta, país vizinho da Tunísia, deram ordens de retorno de migrantes para a Líbia pelo menos uma vez. Em outra, elas tentaram fazer com que os migrantes voltassem para Lampedusa. Porém, sem auxílio de navios comerciais ou nos poucos casos em que estas embarcações os recolhem, eles acabam em centros de detenção líbios. E é na Líbia que os migrantes são sujeitos aos mesmos abusos dos quais tentavam escapar.

 

Resposta da ONU

 

O Escritório da ONU para os Direitos Humanos solicitou uma “ação urgente”, através de uma nota, para lidar com a situação das pessoas que tentam cruzar o Mediterrâneo Central.  Na nota é destacado que o território líbio “claramente não pode ser considerado um porto seguro para migrantes”.

Além disso, também foi advertido que o tratamento dispensado aos migrantes na Europa “é o resultado de um sistema fracassado de governança da migração, marcado por uma falta de solidariedade”.

 

A Alta-comissária para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), e ex-presidente da República do Chile, Michelle Bachelet, pede à União Europeia e os seus Estados-membros que garantam o cumprimento do Pacto sobre Migração e Asilo, abordando os desafios de forma comum e que apesar das dificuldades, os direitos humanos devem ser sempre respeitados e aqueles que estão confinados não devem ser esquecidos.

 

Na última semana de setembro, a Organização Internacional para Migrações, OIM, confirmou que pelo menos 517 migrantes foram obrigados a retornar ao país do norte de África. E estima-se que entre 1 de janeiro e 14 de setembro de 2020, há registo de 8.435 casos que nos quais homens, mulheres e crianças foram capturadas e desembarcadas no país pela Guarda Costeira líbia.

 

Imprensa Scalabriniana com informações da ONU.



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